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Suspeitos de feminicídio foram capturados no interior de Roraima
FEMINICÍDIO

Não topou suruba e morreu

Dupla é suspeita de ter matado uma mulher na vila Serra Grande I, em novembro do ano passado

Tiras do Cantá, na região Nordeste de Roraima, com apoio de Bonfim, cumpriram ontem, dia 13, dois mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra O.M.R e L.A.S, ambos de 23 anos. A dupla é apontada como principal suspeita do feminicídio de Inara Santos da Silva, de 47 anos, ocorrido no dia 28 de novembro de 2025, no Sítio São José, na vila Serra Grande I, zona rural do Cantá. Ela se negou a fazer suruba com os dois, por isso foi assassinada no meio do mato.

Após o crime foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias, autoria e motivação. De acordo com o delegado adjunto do Cantá, Rhaynner Veras, que presidiu as investigações, o caso foi inicialmente registrado como homicídio simples, mas com o avanço das diligências passou a ser tipificado como feminicídio.

“O crime ocorreu entre a tarde e a noite do dia 28 de novembro. A vítima foi encontrada caída de bruços, com múltiplas lesões perfurocortantes na região da cabeça e pescoço, além de grande quantidade de sangue ao redor do corpo”, explicou o delegado.

Inicialmente, a Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência. Os dois investigados relataram à polícia que teriam encontrado o corpo por acaso, enquanto se deslocavam para ligar bombas de irrigação.

Eles admitiram que haviam ingerido bebidas alcoólicas com a vítima horas antes, em um bar da região, mas alegaram que ela teria retornado sozinha ao sítio. Diante da ausência de flagrante, testemunhas oculares e instrumentos do crime naquele momento, os suspeitos foram liberados, mas as investigações prosseguiram.

“Com o aprofundamento das diligências, reunimos novos elementos de prova que contradisseram a versão inicial apresentada pelos investigados. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores indicaram que a vítima e os dois suspeitos seguiram juntos em direção a uma área próxima à lagoa, sem que houvesse retorno da vítima do local”, apontou o delegado.

Outro ponto relevante, de acordo com o delegado, foi o depoimento da mãe de um dos investigados, que afirmou que o filho teria confessado a presença no local do crime e atribuído a autoria das facadas ao outro suspeito. Em interrogatórios posteriores, realizados em dezembro de 2025, ambos passaram a apresentar versões conflitantes, com acusações mútuas sobre quem teria desferido o golpe fatal.

Ainda segundo o delegado, ao longo das apurações foram apreendidos elementos considerados fundamentais para a instrução do inquérito, entre eles a faca, apontada como uma das armas utilizadas no crime, além de um aparelho celular pertencente a um dos investigados.

Os materiais foram encaminhados ao ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida), para perícia técnica e análise de dados, mediante autorização judicial, com o objetivo de verificar a presença de vestígios de sangue humano e subsidiar o esclarecimento dos fatos.

“A linha investigativa aponta que o crime foi motivado por uma discussão relacionada pela recusa da vítima em manter relações sexuais com os investigados. Também foram requisitados exame necroscópico, perícia no local do crime e a análise de vestimentas que apresentavam possíveis manchas de sangue”, explicou.

O delegado representou pela prisão preventiva dos investigados, que foi deferida pelo Judiciário. “Como eram dois alvos, solicitamos apoio da equipe de policiais do Bonfim. Na manhã desta terça-feira, menos de 24 horas após a prisão ter sido decretada pela Justiça, montamos uma operação integrada e prendemos os investigados. Eles foram localizados e presos na região da Serra Grande I”, disse o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, L.A.S conduziu a equipe policial até o local onde a faca utilizada no crime estava escondida, possibilitando a apreensão da arma, que se encontrava em uma plantação de feijão na região.

Os investigados foram conduzidos à Delegacia de Polícia do município de Cantá, onde tiveram os mandados de prisão preventiva formalizados. Segundo o delegado, desde o início os investigados tentaram simular que não teriam qualquer participação no fato, alegando que apenas teriam encontrado o corpo da vítima.

No entanto, o conjunto probatório produzido ao longo das investigações demonstrou que ambos estiveram no local do crime e participaram diretamente da ação criminosa, praticada por motivo fútil.

O delegado ressaltou ainda que o trabalho investigativo foi contínuo, técnico e minucioso, envolvendo análise de imagens, oitivas de testemunhas, perícias e apreensão de elementos materiais, o que permitiu a completa elucidação do caso.

“Para a Polícia Civil, trata-se de um crime totalmente esclarecido. As investigações apontam de forma clara a participação dos dois investigados no feminicídio, cometidos com extrema violência contra a vítima”, concluiu.

Os presos foram apresentados na audiência de custódia. As prisões foram homologadas e os dois encaminhados ao Sistema Prisional.

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