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Foto: Nonato Souza/Supcom-Ale RR
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Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Soldado Sampaio, destaca a comunicação como instrumento de transparência e fortalecimento da democracia
PLATAFORMAS DIGITAIS

ALE-RR inova e se aproxima do cidadão

Criada em 1991, a comunicação legislativa deixou o fax e os releases datilografados para se tornar uma estrutura estratégica

Da máquina de datilografia aos conteúdos produzidos para as redes sociais. Ao longo de seus 35 anos de história, a comunicação da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) acompanhou as transformações tecnológicas, sociais e institucionais do estado, deixando de atuar apenas como um setor de apoio para se firmar como área estratégica de transparência, cidadania e aproximação com a população.

Criada oficialmente em 1º de janeiro de 1991, junto com a instalação da própria Assembleia Legislativa, a comunicação nasceu de forma simples e quase artesanal. Naquele período, a então Assessoria de Comunicação contava praticamente com uma máquina de datilografia, utilizada para a produção de releases institucionais encaminhados à imprensa local. Tais materiais eram enviados muitas vezes por fax, principal meio de difusão naquele início dos anos 1990.

Desde então, a comunicação legislativa passou por um processo contínuo de crescimento, profissionalização e valorização institucional, acompanhando o amadurecimento democrático e a necessidade de tornar o Parlamento cada vez mais acessível ao cidadão.

“A comunicação é a ponte entre o Parlamento e a sociedade. Quanto mais transparente e acessível ela é, mais o cidadão consegue acompanhar, fiscalizar e compreender o trabalho que realizamos aqui. Investir em comunicação pública é investir em democracia”, ressaltou o presidente da Casa Legislativa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos).

De assessoria à superintendência

Ao longo dessas três décadas e meia, a comunicação da ALERR evoluiu não apenas em estrutura e tecnologia, mas também em status institucional. Entre 1991 e 1994, funcionou como Assessoria de Comunicação. De 1995 a 2014, passou a ser denominada Secretaria de Comunicação, refletindo a ampliação de suas atribuições. A partir de 2015, foi elevada ao patamar de Superintendência de Comunicação, consolidando seu papel estratégico no planejamento institucional da Casa.

Essa evolução também se materializou na estrutura física. De uma pequena sala com cerca de 20 metros quadrados, a comunicação passou a ocupar uma ampla estrutura, com estúdios de TV e rádio, salas administrativas, equipamentos modernos e equipes especializadas, capazes de produzir conteúdo para diferentes plataformas e públicos.

Antes mesmo da criação dos veículos próprios, a Assembleia Legislativa investiu em comunicação impressa e audiovisual. Entre os anos 2003 e 2010, por exemplo, eram produzidos vídeos institucionais exibidos na TV Roraima (afiliada Globo), além de informativos quinzenais, mensais e trimestrais que apresentavam à população o trabalho parlamentar. Esse período foi fundamental para a formação de equipes, ampliação de estrutura e preparação do terreno para a comunicação própria.

A atual superintendente de Comunicação da ALERR, Sônia Lúcia Nunes, é servidora efetiva da Casa desde 2013 e acompanhou de perto toda a transformação tecnológica, estrutural e humana no setor comunicacional. Ela ressalta que essa evolução reflete o reconhecimento da comunicação como parte essencial da estratégia institucional da Assembleia.

“Ao longo desses 35 anos, a comunicação da Assembleia passou por uma transformação muito profunda. Como superintendente de Comunicação, posso dizer que saímos de um modelo essencialmente formal, restrito a boletins, notas oficiais e cobertura básica de sessões, para uma estrutura multicanal, mais humana, didática e voltada para o cidadão”, contou.

TV, rádio, podcasts e redes sociais

A partir de 2015, com a criação da TV Assembleia, a comunicação legislativa deu um salto significativo. Hoje, o canal 57.3 opera com programação própria 24 horas, incluindo transmissões ao vivo das sessões plenárias, programas jornalísticos, conteúdos institucionais e produção de documentários que abordam temas de interesse social mais amplo.

As produções ultrapassam a cobertura estritamente parlamentar e cumprem um papel de comunicação pública aprofundada, com temas, por exemplo, sobre migração, empreendedorismo, combate à violência doméstica e familiar, valorização da cultura indígena e direitos da população LGBTQIA+. Disponíveis também nas plataformas digitais, esses documentários somam hoje 122 produções.

Em 21 de abril de 2021, foi criada a Rádio Assembleia, na frequência 98,3 FM, em parceria com a Rádio Senado. A programação própria vai ao ar no período da manhã, com conteúdo jornalístico, informativos e musicais, atendendo a públicos diversos, inclusive aqueles sem acesso constante à internet. Uma das inovações é a operação crossmídia, integrando rádio, TV, site e redes sociais, além da produção de podcasts institucionais, que já contabilizam 30 episódios publicados.

Paralelamente, a presença digital da ALERR se firmou ainda antes da TV Assembleia. O YouTube, X (antigo Twitter) e o Facebook foram criados em 2009. O Instagram entrou em operação em 2016, o Flickr em 2021 e o TikTok em 2023. Somadas, as redes sociais reúnem mais de 160 mil seguidores e garantiram à Casa o 7º lugar em engajamento nas redes sociais entre todas as assembleias legislativas do Brasil em 2025.

Além dos veículos próprios e das redes sociais, a comunicação do Legislativo roraimense também se estrutura a partir do site institucional (https://al.rr.leg.br/), que funciona como uma base de dados permanente das atividades parlamentares. No portal, são publicadas diariamente notícias sobre sessões plenárias, audiências públicas, reuniões de comissões, programas especiais e ações sociais desenvolvidas pela Assembleia.

Ainda como parte desse processo de modernização, em 2025 foi lançado o aplicativo TV ALERR Play, com o objetivo de ampliar ainda mais as possibilidades de aproximação com o cidadão ao permitir o acesso direto, em ambiente digital próprio, à programação da TV Assembleia e aos conteúdos audiovisuais produzidos pelo Parlamento (ver linha do tempo).

“Nos últimos anos, os avanços foram muito significativos. Estruturamos melhor a atuação nas redes sociais, aumentamos o volume e a qualidade das transmissões ao vivo, investimos em formatos mais interativos e em linguagem mais acessível, o que também se reflete nos índices de engajamento e na aproximação do público com o Parlamento”, pontuou a superintendente de Comunicação, Sônia Lúcia Nunes.

Acessibilidade e comunicação pública

Desde 2023, a comunicação da Assembleia Legislativa passou a incorporar de forma sistemática a Língua Brasileira de Sinais (Libras) nos próprios produtos. A iniciativa começou com a interpretação em vídeos institucionais nas redes sociais e foi ampliada para programas ao vivo, como o “Assembleia Informa” e o “Sessão ao Vivo”, com foco no maior acesso à informação para pessoas com deficiência auditiva.

“A meta é expandir [Libras] para toda a programação da TV Assembleia, reforçando a ideia de que comunicação pública só é completa quando todas as pessoas, independentemente de qualquer barreira, conseguem acessar a informação produzida pela Casa”, frisou Sônia.

O avanço está alinhado aos princípios da comunicação pública, que vão além da simples divulgação institucional. Para o pesquisador em comunicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), doutor Tarcísio de Oliveira Filho, a comunicação pública tem função estratégica no sistema democrático ao promover transparência e participação social.

“A comunicação pública é fundamental porque obriga as instituições a prestarem contas à sociedade. Ela é um instrumento de transparência ativa e passiva, garantindo que as ações e decisões do poder público cheguem ao conhecimento do cidadão”, explicou.

Segundo o pesquisador, outro pilar essencial é a participação social, possibilitada por canais de diálogo entre instituições e sociedade. “Quando o poder público cria meios de comunicação acessíveis, ele abre espaço para o diálogo, para a avaliação crítica e para a participação cidadã. Isso fortalece o exercício da cidadania e aproxima a sociedade das decisões políticas”, ressaltou Tarcísio.

No caso do Poder Legislativo, o pesquisador ressaltou que essa comunicação é condição indispensável para que o trabalho parlamentar cumpra a função social.

“Se o Legislativo não comunica, a população não se beneficia plenamente das leis e das decisões que são tomadas. Por isso, é fundamental estar presente na TV, no rádio, na internet e nas redes sociais, alcançando públicos diferentes e garantindo o direito à informação”, completou.

 

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