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Foto: Divulgação/PF
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Moradores da Terra Indígena Raposa Serra do Sol observam agentes da PF durante operação Fox
CRIME AMBIENTAL

Garimpeiros aliciam indígenas e exploram RSS

Comunidade Napoleão, na TI Raposa Serra do Sol, defende exploração do garimpo e critica agentes de fiscalização

Garimpeiros na Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima, aliciam comunidades locais e usam as redes sociais, piquetes e até um mini documentário em um movimento contra as operações de combate à exploração ilegal de ouro na região.

Polícia Federal, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e militares realizaram três operações nos últimos meses para tentar frear a expansão da atividade no território, que mesmo assim, segue crescendo. Investigadores afirmam que na Raposa Serra do Sol os garimpeiros têm apoio de pequenos grupos de indígenas, que inclusive atuam na linha de frente da exploração.

Eles se articulam por meio de uma organização chamada Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiurr). A Folha procurou a entidade, por meio de sua presidente, mas não teve resposta até a publicação deste texto. Irisnaide de Souza foi contactada por telefone e por meio de mensagens enviadas a seu perfil nas redes sociais, onde ela é ativa e posta diariamente.

O garimpo ilegal em Roraima explodiu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apoiador da atividade. Na época, o foco da exploração ilícita foi na Terra Indígena Yanomami, que desde 2023 passou a ser palco de uma megaoperação do governo para expulsão dos invasores.

Nos últimos meses, pessoas que atuam na região notaram o aumento do garimpo, mas desta vez na Raposa Serra do Sol. Lá é um dos locais onde a atividade ilegal mostra sinais de entrar em uma nova e mais avançadas fase.

Além da forma tradicional de exploração, por meio do mercúrio, garimpeiros agora passaram a extrair ouro com um processo chamado de lixiviação (processo de lavagem do solo), que exige a construção de laboratórios e conhecimento técnico para uso de cianeto.

Este químico é altamente letal se manuseado incorretamente e inclusive foi utilizado pelo ditador alemão Adolf Hitler e os nazistas tanto nas câmaras de gás do Holocausto, quanto para tirar a própria vida.

A tese do marco temporal é defendida pelo agronegócio e por setores da indústria, mas criticada por ambientalistas e por organizações dos povos indígenas. Em uma operação contra um garimpo que usava lixiviação na Raposa Serra do Sol, em junho de 2025, agentes de fiscalização foram alvo de ataques de indígenas aliados aos criminosos.

A atividade ilegal se concentra na região da comunidade de Napoleão, na região serrana do território. Já na ida, os indígenas fizeram um cordão humano para tentar evitar a passagem de veículos da PF que tentavam chegar no garimpo.

Após a operação, quando os agentes já tinham destruído os equipamentos e terminado suas ações em campo, se depararam com piquetes de pneus e madeira em chamas. A associação Sodiurr é a principal entidade na defesa da exploração ilegal de ouro dentro do território.

Em 2021, a organização publicou uma carta aberta —que foi citada no site oficial da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) do governo Bolsonaro—, na qual criticava a então presidente da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Sonia Guajajara, hoje ministra dos Povos Indígenas da gestão Lula (PT).

Sua atual presidente, Irisnaide, é ativa nas redes sociais não só sobre este tema. Ela também publicou mensagens com notícias falsas sobre a vacina contra Covid-19. Seu perfil tem postagens ainda sobre Jesus Cristo, contra a população LGBTQIA+ e em defesa das ações do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, na Venezuela.

Flechas

Após os piquetes contra a operação de 2025, ela usou as redes sociais para incentivar que seus parentes usassem da violência contra os agentes. “Os índios deram mole, faltou as flechas na rabeta desses inimigos”, escreveu pelo Facebook.

Circula ainda nas redes sociais um mini documentário, de cerca de 20 minutos, sem autoria ou data explícita, na qual indígenas deste povoado defendem o garimpo.

No vídeo, eles afirmam que o que existe ali é uma exploração “manual e humilde” —a despeito das operações da PF mostrarem enormes garimpos, com uso de equipamento pesado e de processos com cianeto que exigem conhecimento químico.

O filme tem uma narração em off, depoimentos de indígenas e uma curta declaração em língua nativa. Seu argumento é de que a exploração de ouro (assim como a atividade agropecuária) possibilita que os moradores da região deixem de ser beneficiários do Bolsa Família e adquiram bens como motos e celulares, e construam casas de alvenaria.

Também critica as operações de combate ao garimpo por destruírem os equipamentos necessários para as atividades ilegais.

Fonte: Folha de SP.

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