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Foto: Divulgação
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Tiras da Draco deflagraram operação na BV City contra o tráfico de pessoas
“MALECÓN”

DRACO prende veneca e arrebenta tráfico de pessoas

Policiais civis deflagram operação contra tráfico de pessoas e estelionato com milhas aéreas em Roraima

Tiras da DRACO (Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados), com apoio do Núcleo de Inteligência, deflagraram a operação Malecón, com o objetivo de desarticular um esquema de tráfico de pessoas envolvendo, principalmente, imigrantes cubanos e a prática de estelionato com a fraude em milhas aéreas.

De acordo com informações prestadas pelo delegado titular da DRACO, Wesley Costa de Oliveira, as investigações tiveram início após o relato das vítimas, no final do mês de janeiro. “Representamos rapidamente pelas medidas cautelares e fomos prontamente atendidos pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, o que permitiu a deflagração da operação em curto prazo”, afirmou.

As investigações apontaram que os imigrantes eram aliciados em Cuba e ingressavam no Brasil pela chamada Rota das Guianas, entrando por Lethem com destino a Boa Vista. Depois, eles eram encaminhados para outros estados com o auxílio de uma rede que fornecia hospedagem, transporte e logística. O delegado ressaltou que parte dos imigrantes acabou sendo vítima de um golpe associado à própria estrutura criminosa.

“Identificamos que alguns desses cubanos pagaram em dólar por passagens aéreas que foram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Quando tentaram embarcar, foram impedidos, configurando um crime de estelionato inserido dentro de um contexto maior de tráfico de pessoas”, explicou.

Durante a operação foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em quatro endereços nos bairros Buritis e Tancredo Neves, zona Oeste da Capital. As diligências resultaram no cumprimento de mandado de prisão preventiva contra o principal investigado, o veneca J.A.L.L, de 32 anos, apontado como responsável por coordenar a logística do esquema em Boa Vista.

O “mira” gerenciava a permanência dos imigrantes na Capital, oferecendo alojamento e transporte até o aeroporto. Em um dos endereços, no bairro Buritis, casa de um policial militar, o investigado foi localizado e preso. A Polícia Civil investiga a possível ligação do PM.

No curso das diligências, os policiais localizaram outra casa, no Tancredo Neves, utilizada como hospedagem irregular, sem alvará ou identificação formal, onde havia cerca de 30 camas destinadas a abrigar temporariamente os imigrantes até o embarque. “Essas pessoas chegavam por via terrestre até Lethem e eram encaminhadas para esse local, que funcionava como ponto de apoio logístico”, detalhou o delegado.

Bloqueio de contas – Wesley solicitou da Justiça o bloqueio em contas bancárias vinculadas ao principal alvo. A medida foi autorizada e mais de R$ 400 mil foram sequestrados, com o objetivo de preservar valores possivelmente relacionados à atividade criminosa.

Durante o cumprimento das ordens judiciais foram apreendidos cerca de R$ 12 mil em espécie em dólar americano, peso cubano, peso da Nicarágua e real o que, segundo a polícia, evidencia a dimensão internacional das atividades investigadas.

Os policiais apreenderam também documentos, chips de telefones lacrados que seriam vendidos aos imigrantes, telefones celulares, dois veículos pertencentes ao policial militar que eram usados na logística para transporte dos imigrantes, além de cadernos de anotações. Após a prisão, o veneca foi encaminhado à sede da DRACO e depois à audiência de custódia.

“É importante destacar que a investigação demonstra que Roraima está se consolidando como rota de fuga para os cubanos que fogem de Havana. Quanto à investigação, seguimos apurando a participação de outros envolvidos. Até o momento, há pessoas citadas no inquérito, mas apenas um suspeito foi formalmente identificado. O aprofundamento das diligências deverá esclarecer o grau de envolvimento de outros possíveis integrantes da organização criminosa, inclusive do próprio policial militar, que será ouvido pela equipe da DRACO”, disse o delegado.

MALECÓN – O nome da operação faz referência ao Malecón, tradicional e extenso calçadão localizado em Havana, capital cubana. A denominação foi escolhida em razão das vítimas do esquema investigado ser na totalidade de nacionalidade cubana, simbolizando o ponto de origem de muitos dos imigrantes aliciados pela organização criminosa.

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