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Foto: Divulgação/CIR
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Moto de Gabriel encontrada a 300 metros do corpo; Polícia descarta latrocínio
NO AMAJARI

Polícia descarta latrocínio em morte de liderança indígena

Conflitos por terra no Amajari são intensos e marcados por disputas violentas entre grileiros, produtores do agro e comunidades indígenas

A motocicleta e o celular de Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, liderança indígena assassinada no Amajari, ao Norte de Roraima, foram encontrados próximos ao local de onde o corpo estava.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) informou que os objetos estão sob posse da Polícia Civil, que investiga o crime. Em um primeiro momento, a Civil suspeitava que Gabriel tinha sido vítima de um latrocínio, que é o roubo seguido de morte, mas a hipótese foi descartada.

A Polícia Civil divulgou nota, informando que a moto foi encontrada na terça-feira (10) e o celular na manhã desta quarta, dia 11. O tuxaua da comunidade Novo Paraíso e primo da vítima, Isaías Rodrigues, disse em entrevista que as roupas da vítima também foram encontradas no mesmo local onde estavam a moto e o celular. O corpo estava apenas de cueca e meia.

O cadáver passa por exames de necropsia no Instituto de Medicina Legal (IML). O resultado, que vai apontar a causa da morte, deve sair ainda este mês.

Moradores da comunidade indígena Juracy encontraram o corpo já em avançado estado de decomposição a aproximadamente de 26 quilômetros da RR-203, no sentido da BR-174, próximo à Vila Brasil.

Conflitos por terra

Os conflitos por terra no Amajari são intensos e marcados por disputas violentas entre grileiros, produtores do agro e comunidades indígenas, motivadas principalmente pela indefinição fundiária e ausência do poder público. A região concentra fazendeiros, pecuaristas e grandes empresários do agro. Muitos deles já foram denunciados por violência contra os povos originários e invasão de terras indígenas.

Nota da Polícia Civil

A Polícia Civil de Roraima, por meio da Delegacia de Pacaraima, esclarece que as investigações relacionadas ao caso envolvendo Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, vêm sendo conduzidas de forma técnica e dinâmica, com atualização constante das informações conforme o surgimento de novos elementos.

Inicialmente foi registrado um Boletim de Ocorrência pela Delegacia Virtual no dia 3, relatando que a vítima saiu no dia 31 de janeiro, para ir a uma festa e desapareceu. As diligências para localizá-lo foram realizadas pelas equipes da Delegacia de Pacaraima e Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas nos municípios de Amajari e Boa Vista.

Durante essa fase inicial, quando Gabriel Ferreira ainda estava desaparecido, análises técnicas indicaram, como linha investigativa preliminar, a possibilidade de deslocamento do aparelho celular da vítima para Lethem, hipótese trabalhada com base nos dados disponíveis naquele momento. No entanto, uma equipe de policiais de Pacaraima foi até aquela região na segunda-feira, 09, mas não localizou o equipamento.

No início da tarde de ontem, 10, foi encontrado um corpo com características compatíveis com as de Gabriel Rodrigues, reconhecido por familiares, a cerca de 26 km da RR-203, em Amajari, no sentido BR-174/Vila Brasil. O corpo estava em adiantado estado de decomposição, e a vítima usava apenas roupa íntima masculina.

As vestimentas e a motocicleta foram encontradas próximo ao corpo. Inicialmente, não foi encontrado o celular da vítima, o que levou a Polícia Civil a trabalhar, em um primeiro momento, com a hipótese de um latrocínio, sem descartar outras linhas de investigações.

O Instituto de Medicina Legal foi acionado para a remoção do corpo para Boa Vista, enquanto uma equipe do Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida realizou a perícia no local. O corpo permanece no IML, onde estão sendo realizados os trabalhos periciais, sendo uma delas a de identificação oficial da vítima e, a outra, a causa da morte.

Além da instauração de um inquérito policial na Delegacia de Pacaraima para esclarecer a morte da vítima, a PCRR determinou a realização de uma série de diligências, dentre elas intimações de pessoas próximas à vítima e que mantiveram contato por último com Gabriel Ferreira.

Na manhã desta quarta-feira, 11, foi realizada uma varredura conjunta de policiais civis, moradores e lideranças indígenas da região, nas proximidades em que o corpo foi encontrado, ocasião em que o celular da vítima foi localizado coberto por capim e sujo de poeira.

Diante dos novos elementos coletados em campo, a investigação foi atualizada, permitindo o redirecionamento das linhas investigativas, descartando-se a primeira hipótese, que seria latrocínio.

A PCRR reforça ainda que as investigações estão no começo e que outras linhas de investigações estão sendo analisadas.

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