Pesquisar
Foto: Internet
enteral
Acordo garante fornecimento de alimentação enteral para pacientes em tratamento domiciliar em Boa Vista
COM SONDA

Pacientes de Boa Vista vão se alimentar em casa

Boa Vista passa a ter obrigação de fornecer dietas e insumos para pacientes que dependem de alimentação enteral

A Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) garantiu um acordo judicial para que o município de Boa Vista forneça alimentação enteral para pacientes que fazem tratamento em casa e não conseguem se alimentar pela boca.

A alimentação enteral é a nutrição feita por sonda, geralmente usada por pacientes acamados ou com doenças que impedem a alimentação normal. Além da dieta, também são necessários materiais como sondas, frascos e equipos para que o tratamento seja realizado.

O processo tramitou no 2º Núcleo de Justiça 4.0, sob condução do juiz Breno Coutinho, do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). O acordo foi homologado no dia 3 de março de 2026 e é resultado de uma Ação Civil Pública apresentada pela DPE-RR. A atuação foi conduzida pela Defensoria Especializada para Tutela e Defesa dos Direitos à Saúde Pública (DESP) e o Grupo de Atuação Especial (GAED).

O problema foi identificado pela Especializada da Saúde no final de 2023, quando aumentou o número de pessoas procurando atendimento porque não estavam recebendo do município os materiais necessários para a alimentação por sonda.

Muitos pacientes dependiam de dietas industrializadas e de materiais específicos para continuar o tratamento em casa. Como esses produtos têm custo alto, várias famílias não tinham condições de comprar.

Diante da repetição dos casos, a Defensoria da Saúde, conduzida pela defensora pública Inajá Maduro, solicitou cooperação do GAED, coordenado pela defensora pública Paula Castro, e entraram com uma ação coletiva. O objetivo foi buscar uma solução que atendesse todos os pacientes que precisam desse tipo de alimentação.

A defensora Paula Regina explica que a atuação coletiva permite resolver problemas que atingem várias pessoas ao mesmo tempo.

“A missão da Defensoria Pública é ser a voz dos vulneráveis, garantindo acesso à justiça e à cidadania. Quando identificamos um problema que se repete e afeta um grande número de pessoas, como a falta de alimentação enteral, nossa responsabilidade é agir de forma coletiva. A Ação Civil Pública é um instrumento poderoso que nos permite ir além do caso individual e corrigir falhas estruturais do poder público. Esta vitória demonstra o papel fundamental do GAED e da DESP em articular soluções que geram um impacto social amplo e duradouro”, afirmou.

Durante a tramitação, o Ministério Público de Roraima também participou das negociações, por meio do promotor de justiça Igor Naves.

Com o acordo homologado, o município de Boa Vista reconheceu a responsabilidade de fornecer a alimentação enteral e os materiais necessários para pacientes que moram na capital, mediante prescrição pelo profissional de saúde.

Também está previsto que o fornecimento não pode ser interrompido por problemas administrativos, como atraso ou suspensão de licitação. Nesses casos, o município deverá adotar outras medidas para garantir que os pacientes continuem recebendo os insumos.

A defensora pública Inajá Maduro destaca que a decisão garante mais segurança para os pacientes que dependem desse tratamento.

“Esta demanda representa muito mais do que a defesa de um direito social, é a afirmação do direito à vida. Estávamos lidando com pacientes que, sem a nutrição adequada, não dispunham do mínimo necessário para sobreviver. Muitos se encontram em uma situação de vulnerabilidade tão extrema que sequer conseguem nos procurar. Garantir que a nutrição chegue de forma contínua e segura à casa dessas pessoas é devolver a elas a dignidade e a esperança. A homologação deste acordo não é apenas o fim de um processo judicial, mas o começo de uma nova realidade, onde a saúde e a vida dos mais frágeis são, de fato, prioridade”, comemorou.

Com a homologação judicial, o acordo passa a ter força de decisão judicial. O cumprimento poderá ser acompanhado de forma permanente pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público.

Publicidade

Veja também:

Operação bloqueia R$ 77 milhões de traficantes

Postado em 11 de março de 2026

Maturuca sedia 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas

Postado em 11 de março de 2026

Furtou celular para tomar cervejinha e levou taca

Postado em 11 de março de 2026

Teamarr inaugura nova unidade nesta quinta

Postado em 11 de março de 2026

DPE atende mais de 5,6 mil vítimas de violência

Postado em 11 de março de 2026

Chame orienta pacientes no HA

Postado em 11 de março de 2026