Mais de 60 indígenas do Uiramutã, ao Norte de Roraima, concluíram o curso de Magistério Indígena “Amooko Llisantan”. A festa de formatura aconteceu na tarde desta quinta-feira (26), na comunidade indígena Serra do Sol, localizada em uma região de difícil acesso, distante 74 quilômetros da sede do município.
A 2ª turma foi formada por indígenas Ingaricó, Patamona e Macuxi da serra. O curso presencial, ministrado pelo Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (CEFORR), teve duração de dois anos e ocorreu na comunidade indígena Monte Moriá I.
A diretora do CEFORR, Stela Damas, informou que toda a metodologia empregada no curso foi específica para atender a realidade dos alunos indígenas do Uiramutã. “Levamos em consideração a identidade, cultura e língua. A formação foi fundamental para esses jovens”.
O malocão da comunidade ficou lotado. Após o hino Nacional, os formandos receberam certificados. O orador da turma, indígena Djacir, falou dos desafios que a maioria enfrentou durante o curso. “Muitos andaram horas debaixo de sol e chuva para chegar à sala de aula, mas a união nos fez superar todos os obstáculos e hoje colhemos os frutos desse esforço. Valeu a pena”.
O secretário de Educação do Uiramutã, Damázio de Souza Gomes, parabenizou os novos professores e pediu que eles continuassem estudando. Também falou da importância dos professores atuarem na própria comunidade. “É uma grande satisfação participar desta formatura porque aqui na Serra do Sol iniciei minha carreira de professor. Não parem. Prossigam com os estudos”, orientou.
O tuxaua da comunidade indígena Serra do Sol, Woston Gobamete, agradeceu a presença de todos e também parabenizou os formandos. “Aproveitem este momento, pois vocês serão nossos futuros professores”, concluiu.
Também participaram da formatura, o vice-prefeito do Uiramutã, Jeremias Lima, vereadores, lideranças indígenas, técnicos da Educação estadual e municipal, além de convidados e familiares dos formandos.
“Povo do céu”
A região é formada por 13 comunidades Ingaricó, com população estimada em 2.702 indígenas. O povo habita a região de fronteira entre Roraima, Guiana e Venezuela. Eles vivem no extremo Norte do Estado, especificamente na porção serrana da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Uiramutã.
Os Ingaricó habitam as cabeceiras dos rios Cotingo e Maú, em uma área de sobreposição entre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e o Parque Nacional do Monte Roraima. Por viverem em áreas de difícil acesso são frequentemente chamados de “povo do céu”.
Eles praticam a religião Areruya (ou Aleluia), uma doutrina que mescla elementos tradicionais indígenas com influências do cristianismo, centrada em cantos e danças rituais. Os ingaricó ainda preservando hábitos tradicionais devido ao isolamento geográfico, mantendo contatos apenas esporádicos com centros urbanos.