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Exumação ocorreu na comunidade indígena Ticoça, no Uiramutã
NO UIRAMUTÃ

Polícia faz exumação em comunidade indígena

Perícia reforça produção de prova técnica em investigação de estupro de vulnerável

A Polícia Civil de Roraima, por meio da delegacia de Pacaraima, realizou nesta quarta-feira, dia 6, na comunidade Ticoça, no município de Uiramutã, mais uma etapa na investigação que apura um caso de estupro de vulnerável praticado no âmbito familiar.

A perícia envolveu policiais de Pacaraima, peritos do Instituto de Criminalística e do IML, sendo a diligência realizada “in loco” pelo médico-legista Deyne Morais. A ação contou ainda com apoio da Polícia Militar de Uiramutã na segurança operacional, além do acompanhamento do tuxaua e do vice da comunidade, cuja presença foi fundamental para assegurar o respeito aos aspectos culturais locais, preservar as tradições da comunidade indígena e garantir a regularidade e segurança dos trabalhos periciais.

A diligência consistiu na exumação dos restos mortais de uma criança falecida aos dois meses de vida, filha da vítima, para coleta de material genético destinado a exames de DNA, fundamentais para o fortalecimento das provas técnicas do inquérito policial.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Pacaraima, Robin Felipe Barreto de Araújo, a medida foi judicialmente autorizada após sua representação e marca uma fase importante para a conclusão da investigação.

“Foi realizada hoje a última diligência relacionada a esse caso, com a exumação determinada judicialmente para que a criminalística promova a comparação genética dos restos mortais da criança com o investigado, F.S.S., de 39 anos, suspeito de abusar sexualmente da própria filha desde a infância, além da comparação com a filha viva da vítima”, explicou o delegado.

Segundo as investigações conduzidas pela equipe da Delegacia de Pacaraima, a vítima, atualmente com 21 anos, relatou que os abusos sexuais ocorreram desde quando tinha apenas três anos de idade, sendo supostamente praticados pelo próprio pai, enquanto a mãe, E.S.S., de 36 anos, teria se omitido durante anos diante das violências.

Ainda conforme o delegado, aos 14 anos, em 2019, a vítima engravidou em decorrência dos abusos, dando à luz uma criança que morreu com apenas dois meses de vida, fato que agora passa a integrar de forma ainda mais robusta o conjunto probatório por meio dos exames periciais.

O caso teve ampla repercussão desde novembro de 2025, quando a vítima procurou o Conselho Tutelar de Uiramutã e revelou os abusos sofridos, além de denunciar que seus pais haviam subtraído sua filha de dois anos. A gravidade das informações levou à rápida atuação da Polícia Civil, do Ministério Público de Roraima e do Poder Judiciário, culminando na prisão do casal investigado.

“Essa análise genética será fundamental para a confirmação de vínculos biológicos. O objetivo é buscar a verdade real por meio da ciência forense, assegurando que todos os elementos necessários para a responsabilização criminal sejam devidamente comprovados”, reforçou Robin Felipe.

Com a realização da exumação e a conclusão dos laudos, o Inquérito Policial entra em fase final para posterior remessa ao Poder Judiciário.

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