Conversei dia desses com um marqueteiro de Arthur e ele me garantiu que a principal arma de campanha do grupo, em outubro próximo, será massificar a narrativa de que Sampaio é comunista. Isso, segundo ele, vai provocar uma grande rejeição popular ao soldado, impactando diretamente no resultado das urnas, já que a maioria em Roraima é de direita.
Bom de lábia e com aquele sorrisinho sarcástico, o colega até apostou comigo, afirmando que a vinda do filho de Bolsonaro a Roraima nas eleições majoritárias será o suficiente para dar uma vitória esmagadora a Arthur. Ao final da conversa, ele olhou nos meus olhos e sussurrou: “teu Sampaio comunista vai levar taca nas urnas”.
Confesso que fiquei pensativo. Realmente, associar político ao comunismo em pleno século XXI é um lance de mestre dos marqueteiros do Arthur, mas arriscado do ponto de vista político se confrontarmos mentiras e fatos. Senão, vejamos:
O capitalista Denarium passou oito anos no poder. Não deu aumento aos servidores públicos, não pagou progressões, fez vista grossa à grilagem de terras, não investiu na segurança, deixando o crime organizado se instalar em Roraima, fomentou o garimpo ilegal e não construiu sequer uma escola; pelo contrário, desativou várias.
Neste mesmo período, o então governador deixou o interior do estado virar um atoleiro. E olha que antes de sair, Denarium emprestou mais de R$ 800 milhões, mandando a maior parte dessa grana para Damião (Seinf) ajeitar estradas, vicinais e pontes, mas… o que vemos hoje é um lamaçal só.
Pior. Denarium permitiu o caos se instalar na Saúde pública, tanto é que a PF fez várias operações na Sesau contra desvios milionários. Lembram? Tivemos até uma maternidade de lona, onde dezenas de crianças e mães padeceram, infelizmente, e até hoje ninguém foi responsabilizado. E quantos outros morreram na fila de atendimento?
Então, o que Denarium fez de bom para o estado, que pode servir de exemplo para Arthur? Pagou os servidores em dia? Isso não é mérito, nem favor; é lei, obrigação.
No fim das contas, deu no que deu. Mesmo extirpado da polícia, Denarium, Damião, Disney e outros sócios enricaram mais ainda em detrimento dos menos favorecidos, que hoje saem de casa e metem o pé na lama, seja na Capital ou interior do Estado.
É isso, Arthur, que tem que continuar? Essa é a nova política que o ex-prefeito defende?
Ah, já estava esquecendo do tema central: “Sampaio comunista”. Pois é… o soldado assumiu e em 15 dias já fez mais que Denarium em oito anos. Deu uma voltinha no HGR, apenas uma, e acabou com filas e macas pelos corredores, abrindo mais leitos, inclusive em hospitais particulares. Vejam vocês: em um mês foram realizadas mais de mil cirurgias.
Na segurança pública, o interino governador também já chegou, chegando. Promoveu centenas de policiais e bombeiros militares, aparelhou a Polícia e anunciou a abertura de concursos públicos para reforçar o combate ao crime organizado, que se instalou em Roraima por pura negligência de Denarium.
Na Educação, de imediato, Sampaio mandou reformar 15 escolas que estavam em situação precária. Também já anunciou a construção de mais escolas na Capital e interior, contemplando até comunidades indígenas, até então esquecidas pela gestão de seu Antônio.
Ao assumir, o soldado concedeu aumento salarial aos servidores públicos, sem a necessidade das categorias entrarem na Justiça, sinal de respeito e reconhecimento. Também está pagando progressões e outros benefícios a quem realmente trabalha e desenvolve Roraima.
O engraçado é que nenhuma dessas ações de Sampaio consta na cartilha de Karl Marx, o pai do comunismo. Então, como disse no começo do texto, contra fatos não há argumentos, ou seja, a realidade nua e crua, quando comprovada por evidências sólidas, é inquestionável.
Há mais de uma década, Sampaio foi sim do PCdoB, é verdade, mas mudou e hoje é do Republicanos, partido sem radicalismo ideológico. Portanto, colegas marqueteiros, é melhor mudar de tática, pois o povo não vai cair nesse papinho furado de vocês. Mesmo com pouco tempo de governo, Sampaio já tem trabalho para mostrar. E o Arthur?
(*) Amilcar Júnior – Jornalista.