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Foto: Jardeson Pinho
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Festival cultural movimenta Uiramutã neste fim de semana
EXPOSIÇÃO ARTÍSTICA

Festival Cultural movimenta Uiramutã neste fim de semana

Município abre oficialmente calendário que garante repasse anual de recursos federais por meio da Lei Aldir Blanc

Município mais indígena do Brasil, Uiramutã, no Norte de Roraima, virou palco de um grande encontro cultural que acontece neste fim de semana na sede do município. O evento reúne artesãos, produtores de arte e outros fazedores de cultura. As intervenções e exposições ocorrem até este sábado (27), na quadra poliesportiva municipal.

A iniciativa faz parte de uma parceria firmada entre governo federal e prefeitura do Uiramutã, por meio da Lei Aldir Blanc, que garante repasse anual a estados e municípios para apoiar movimentos e espaços culturais.

O artista plástico Gedeão Macuxi, que faz parte da coordenação, explicou que o festival dá início à execução dos projetos culturais que serão implementados no município. “Uiramutã tem uma cultura indígena rica e diversificada, por isso temos potencial para mostrar nossa arte para o Brasil e o Mundo”.

O festival começou na tarde de ontem (26) com a exposição de peças artesanais, biojoias e remédios produzidos pelos próprios indígenas que praticam a medicinal tradicional.

Detentora de saberes ancestrais, a macuxi Iolanda Pereira da Silva, moradora da comunidade indígena Uiramutã, participou da exposição apresentando expectorantes naturais e garrafadas para tratar da próstata, diabetes e câncer. Ela também apresentou um livro de sua autoria, escrito nas línguas Macuxi e Português, sobre receitas medicinais.

“Aprendi com meus avós, que eram benzedores, e depois com meu pai, o tuxaua Orlando Pereira da Silva, que também é pajé. Nosso conhecimento atravessa gerações, por isso nossa cultura é ancestral e permanece viva”, observou.

A artesã indígena Niciona de Lima, moradora da comunidade indígena Popó, levou vestimentas tradicionais confeccionadas com sementes catadas na região. Ela também mantém viva a cultura de seus antepassados. “É importante trabalhar em harmonia com o meio ambiente porque precisamos da mãe-terra para sobreviver”, pontuou.

Fortalecimento da identidade

O secretário-adjunto da Educação do Uiramutã, professor Joeverson Sales, falou da importância do evento. Segundo ele, o festival cultural é fundamental para o fortalecimento da identidade, a transmissão de saberes ancestrais e a resistência dos povos originários. “Mais do que um evento festivo, ele funciona como ferramenta viva de sobrevivência cultural”, observou.

Após a abertura oficial, alunos da escola estadual indígena Júlio Pereira fizeram coreografias e dançaram músicas tradicionais. Depois foi a vez da animada quadrilha junina “Nabucão”, formada por estudantes da escola estadual Joaquim Nabuco.

Na sequência, após as apresentações, foi exibido ao público o filme roraimense Palasito. O primeiro dia de festival terminou com forró. Na programação deste sábado, a partir das 16h, haverá novas exposições e mais forró com as apresentações do sanfoneiro tuxaua Orlando e da banda Kikinho Bagaceira.

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