A rede municipal de ensino do Uiramutã retoma as aulas nesta segunda-feira (23). Segundo a Secretaria da Educação do município (Semecd), mais de 2.100 alunos, distribuídos em 71 escolas, voltam às salas de aula e marcam o início do 1º semestre letivo, conforme o calendário escolar municipal de 2026.
Para o retorno, a Semecd informou que as unidades municipais de ensino, inclusive as localizadas em regiões de difícil acesso, já foram abastecidas com merenda escolar, gás de cozinha, materiais de limpeza e de expediente.
A Educação do Uiramutã renovou este ano o contrato dos servidores seletivados de 2025 e abriu um novo processo seletivo para garantir o preenchimento de vagas no quadro de reserva e na creche, que será inaugurada na próxima sexta-feira (27), na sede do município. Foram contratados 106 servidores de apoio e 46 professores da educação infantil, que irão somar com os 289 servidores seletivados do ano passado.
O secretário municipal da Educação, Damázio de Souza Gomes, destacou que o ano começa com otimismo e organização. Segundo ele, a equipe técnica da pasta traçou um detalhado planejamento pedagógico para 2026.
“O ano letivo já começou na rede municipal de ensino, trazendo expectativa e organização para alunos, pais e profissionais da Educação. A pasta manifesta satisfação com o retorno das atividades escolares e com o planejamento preparado para receber nossos alunos”, pontuou.
Damázio ressaltou que os profissionais da Educação iniciam mais um ano letivo com foco no planejamento, organização e expectativas de avanços no aprendizado. A fala do secretário enfatiza um retorno positivo, seguro e com dedicação por parte de toda sua equipe.
Por fim, a Secretaria Municipal da Educação do Uiramutã ressaltou a alegria com os avanços nas aprendizagens, observados em todas as escolas da rede, reafirmando o compromisso com a qualidade do ensino e o desenvolvimento integral dos estudantes.
A gestora Maria de Jesus da Silva Souza, responsável pela escola municipal Antônio Rodrigues da Silva, a maior na sede do município, informou que este ano foram matriculados 375 alunos do 1º período da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental I. A unidade funciona em três turnos, inclusive com a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno.
“Neste primeiro momento faremos um diagnóstico dos alunos para identificar dificuldades e, em cima desse levantamento, os professores farão o planejamento das aulas. Esperamos que nossos alunos estejam aptos para o aprendizado”, pontuou a gestora.
Merenda escolar – Este ano houve mudança na aquisição da merenda escolar da rede municipal de ensino. A nutricionista da Semecd, Midiã Moura, informou que 45% dos alimentos estão sendo adquiridos da agricultura familiar, um reforço, segundo ela, à produção indígena regional.
“No ano passado podíamos comprar até 30%, mas este ano vamos poder comprar quase a metade da merenda escolar. Isso é muito positivo porque vai gerar renda aos nossos produtores. Vale ressaltar também que os produtos indígenas são mais saudáveis porque são cultivados sem agrotóxico”, observou.
Transporte escolar – O transporte escolar em comunidades indígenas no Brasil é um direito garantido que enfrenta desafios logísticos, utilizando ônibus e picapes em áreas rurais e embarcações (lanchas/canoas) em regiões mais distantes, com foco na segurança e acessibilidade.
Damázio observou que a responsabilidade é dos municípios, mas deve contar com apoio do Governo Federal e Estadual. “O desafio é grande, principalmente levar educação a comunidades indígenas em regiões de difícil acesso, mas vamos continuar trabalhando para atender a todos com o mesmo padrão de qualidade da educação”.
Educação indígena
A educação no Uiramutã, município mais indígena do Brasil, de acordo com os dados do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é marcada por sua forte identidade indígena e por desafios geográficos únicos, sendo o município mais setentrional do Brasil.
O município, com forte presença de escolas indígenas, busca reduzir a evasão escolar e promover o ensino de qualidade em comunidades distantes. “Nossa educação também prioriza a valorização dos professores e a adaptação do ensino para os povos indígenas, incluindo o uso de línguas nativas em contextos educativos”, finalizou Damázio.