Tiras do Núcleo de Inteligência da Civil investigaram e policiais de São Paulo capturaram um foragido de Roraima que utilizava identidade falsa e continuava praticando crimes em diferentes regiões do país. A prisão foi realizada pelo DOPE (Departamento de Operações Policiais Estratégicas), da 1ª delegacia de Polícia de Capturas e do GARRA (Grupo Armado de Repressão a Roubos), após solicitação de apoio da Polícia Civil roraimense. O foragido “caiu” no bairro Itaquera, zona Leste da capital paulista.
Após fugir de Roraima, E.S.S, de 45 anos, passou a se apresentar como F.P.F, de 42 anos, utilizando documentos falsos. As investigações apontam que o fuleiro esteve envolvido em dois crimes graves em Roraima.
O primeiro ocorreu em 9 de dezembro de 2003, por volta de 1h10, quando o vagabundo participou de um assalto na Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), em Boa Vista. Na ocasião, o grupo criminoso subtraiu cofres contendo dinheiro e documentos oficiais, mediante grave ameaça exercida com o emprego de arma de fogo contra o vigia.
O segundo crime ocorreu no dia 18 de novembro de 2004, também em Boa Vista. E.S.S se envolveu em uma tentativa de homicídio contra um militar, que foi atingido por disparo de arma de fogo e agredido durante a ação criminosa.
Após este último crime, o investigado fugiu de Roraima, iniciando uma trajetória marcada por mudanças de identidade, deslocamentos interestaduais e reincidência criminosa.
Prisão por tráfico no Rio
Já utilizando a identidade falsa de F. P. F, o vagabundo foi preso no dia 6 de setembro de 2017, no Rio de Janeiro, durante uma ação policial que resultou na apreensão de grande quantidade de droga.
Na ocasião, ele atuava como batedor, função comum em organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, sendo responsável por alertar comparsas sobre a presença de fiscalizações policiais. A prisão levantou indícios de falsidade ideológica, diante das inconsistências nos documentos apresentados, o que motivou o aprofundamento das apurações.
Crime em São Paulo
Posteriormente, o bandido, já em liberdade, foi morar em São Paulo, onde utilizou a identidade falsa de F.P.F. No local, chegou a abrir uma empresa no ramo de transporte, fato que se tornou determinante para sua localização, ao chamar a atenção dos investigadores durante o cruzamento de informações.
Recentemente, uma equipe da Polícia Federal, ao alimentar o banco de dados de foragidos de Roraima, inseriu o mandado de prisão de E.S.S e com o avanço das análises surgiram coincidências entre o foragido de Roraima e o fuleiro preso anteriormente no Rio, reforçando a suspeita de que se tratava da mesma pessoa.
A “casa caiu”
Diante dos indícios, a equipe da Polícia Federal repassou as informações ao Núcleo de Inteligência da PCRR que, por sua vez, solicitou apoio técnico ao Instituto de Identificação roraimense.
De acordo com o chefe do NI, Ricardo Pedrosa, a equipe do Instituto então realizou exames especializados e o resultado foi conclusivo, confirmando que E.S.S e F.P.F eram a mesma pessoa. Com a identidade verdadeira confirmada, os tiras de Roraima realizaram diligências e confirmaram que o vagabundo estava morando em São Paulo.
“A Polícia Civil de Roraima solicitou apoio à Polícia Civil de São Paulo, que passou a conduzir as diligências em território paulista. A operação foi então deflagrada pelo DOPE, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Capturas e do GARRA, culminando na prisão do foragido”, explicou Ricardo Pedrosa.
Ainda segundo ele, a operação em São Paulo foi conduzida pelo chefe da Divisão de Capturas, delegado Mitiaki Yamamoto, com apoio dos investigadores do GARRA e DOPE.
Integração e inteligência policial
Para Ricardo, o caso demonstra a importância da integração entre as forças de segurança pública, aliada ao trabalho de inteligência policial, análise de dados e identificação civil, para localizar criminosos que atuam de forma interestadual e utilizam identidades falsas como estratégia para escapar da Justiça.
“Após mais de duas décadas desde os crimes praticados em Roraima, o investigado foi localizado e preso, encerrando uma trajetória marcada por violência, roubo, tráfico de drogas, fraude documental e reincidência criminal”, disse.
Ainda segundo o delegado, a Justiça de Roraima será comunicada da prisão para que o fuleiro seja recambiado a Roraima.