Para evitar a entrada de garimpeiros e marreteiros na terra indígena Raposa Serra do Sol, no Uiramutã, ao Norte de Roraima, moradores da comunidade indígena Lilás, a 23 quilômetros da sede do município, reativaram esta semana o posto de vigilância Amooko Geraldo Macuxi.
Lideranças indígenas informaram que a medida tem como objetivo impedir a entrada de não-indígenas no território. A barreira reativada fica em uma vicinal que dá acesso às comunidades indígenas: Socó, Socó I, Ticoça, Bom Futuro, Maturuca, Maracanã, Morro, Waramadá, Mutum e outras.
Segundo os denunciantes, os invasores atravessam a terra indígena sem permissão, transportando materiais e produtos utilizados em garimpos clandestinos. A Polícia Federal já realizou várias operações na região, mas o movimento não para porque a maioria das estradas da região levam até o rio Maú, divisor do Brasil com a Guiana, país onde a extração de minérios é permitida.
Os indígenas também denunciam a entrada de bebidas alcoólicas e outras drogas ilícitas na região. “O movimento está aumentando e isso nos preocupa. Muitos garimpeiros e até marreteiros entram nas comunidades sem autorização, o que coloca em risco a saúde e a vida do nosso povo. Portanto, é preciso que as autoridades competentes adotem alguma providência”, reivindicou uma liderança indígena, que preferiu não se identificar.
Para evitar o consumo principalmente de bebidas alcoólicas dentro do território indígena, o que é proibido por lei, as lideranças planejam uma ação de conscientização com a distribuição de panfletos nas comunidades.
“Neste caso percebemos que infelizmente os próprios indígenas estão levando bebidas alcoólicas para as comunidades, e isso tem causado a destruição de muitas famílias, que brigam e se separam. Também aumentou o número de assédio sexual e outros crimes por causa da bebida”, lamentou a liderança.
A entrada de marreteiros nas comunidades, ainda de acordo com os denunciantes, também se intensificou nos últimos meses. Os indígenas alegam que os vendedores ambulantes comercializam os produtos muito acima do valor de mercado e enganam os indígenas. “Eles tentam enganar nosso povo, cobrando muito caro”, reclamou.
A mesma reclamação foi feita por indígenas que moram em comunidades na quase isolada região da Serra do Sol, no extremo Norte de Roraima. Além de vender caro, segundo os denunciantes, os marreteiros ainda deixam lixos e poluem rios e lavrados.
Raposa Serra do Sol
A comunidade indígena Lilás conta atualmente com 121 moradores da etnia macuxi; destes, 23 são pais de família. No geral, a terra indígena Raposa Serra do Sol possui 26.176 indígenas, de acordo com os dados mais recentes do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa população está distribuída em cerca de 200 comunidades e pertence a cinco etnias principais: Macuxi, (etnia majoritária), Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona.
O território é a segunda terra indígena mais populosa do Brasil, superada apenas pela TI Yanomami. A área total da reserva é de aproximadamente 1,7 milhão de hectares, localizada nos municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã, no extremo Norte de Roraima.