Pesquisar
Foto: Divulgação
mp
Ação foi movida pelo MP de Rorainópolis
RORAINÓPOLIS

MP ajuíza ação contra dentista “fantasma”

Servidora, que cursa Medicina em Manaus, tinha dois empregos públicos em Roraima; vai ter que devolver quase R$ 800 mil

O MP de Roraima ajuizou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra a cirurgiã-dentista J.M.A, por manter vínculos ativos em duas unidades de saúde no estado sem o efetivo exercício das funções, enquanto cursa faculdade de medicina, de forma presencial, no Amazonas.

A ação foi protocolada na última segunda-feira, dia 2, pela Promotoria de Justiça de Rorainópolis, região Sul do Estado. Conforme apurado, a servidora possuía vínculo com o Governo do Estado, tanto com uma unidade de saúde da Capital, como no Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis, onde atuava por meio de processo seletivo simplificado, tirando plantões. Consta ainda que ela exerceu a função de diretora-geral da unidade no período de setembro de 2022 a abril de 2023.

De acordo com as investigações, a profissional iniciou, em março de 2023, curso presencial de medicina em instituição privada em Manaus (AM). Para o MPRR, a distância entre a capital amazonense e os municípios em que a profissional estava lotada em Roraima inviabiliza a compatibilidade entre a frequência acadêmica diária e o cumprimento regular dos plantões assumidos.

Durante o procedimento investigatório, a dentista afirmou que realizava plantões extras e que os registros de frequência estariam disponíveis no setor de Recursos Humanos. No entanto, após requisição formal do Ministério Público, o próprio RH da unidade hospitalar informou que a servidora não comparecia para a prestação de serviços.

Em oitiva, a dentista declarou que cumpria plantões apenas aos fins de semana e feriados, para conciliar com os estudos. Contudo, as escalas encaminhadas demonstraram designações em dias úteis e em horários incompatíveis com a frequência acadêmica presencial em Manaus. Apesar de notificada em três ocasiões para apresentar documentos que comprovassem a regularidade dos plantões e da frequência acadêmica, não apresentou qualquer comprovação.

Segundo a ação, entre 2023 e 2024, período em que manteve vínculo com o hospital de Rorainópolis, a servidora recebeu R$ 799.386,47 de forma indevida, mediante fraude nos registros de frequência, remuneração e produtividade. Para a promotora de Justiça Sissy Vinholte, os elementos reunidos demonstram incompatibilidade absoluta entre as atividades exercidas.

“Há incompatibilidade evidente entre a frequência acadêmica presencial diária em Manaus e o volume de plantões declarados em Rorainópolis e Boa Vista. A situação revela impossibilidade logística e temporal de cumprimento das jornadas, com prejuízo ao erário e violação aos princípios da administração pública”, afirmou a promotora.

Na ação, o MP requer, em caráter liminar, a decretação da indisponibilidade dos bens da ré no valor de R$ 799.386,47, correspondente ao montante estimado do dano ao erário, além da condenação por improbidade administrativa.

Caso seja condenada, J.M.A terá a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos pelo prazo de até 12 anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de até 12 anos.

Publicidade

Veja também:

Candidato confundido com ladrão retorna a concurso

Postado em 4 de março de 2026

Cartilha combate cyberbullying

Postado em 4 de março de 2026

Deficientes ganham novo Estatuto em RR

Postado em 4 de março de 2026

DPE atende Cantá e território Yanomami

Postado em 4 de março de 2026

Teamarr inicia consultas com pediatra

Postado em 4 de março de 2026

“Flor de Lótus” retoma atividades terapêuticas

Postado em 4 de março de 2026