Pesquisar
Foto: Divulgação
quartieiro
AGU confirma multa ambiental de R$ 4,5 milhões contra Paulo Cézar Quartieiro por crime ambiental
CRIME AMBIENTAL

Quartieiro leva multa de R$ 4,5 milhões

Fazendeiro desmatou reserva legal e Área de Preservação Permanente; Ibama manteve sanções

Advocacia-Geral da União (AGU) garantiu a aplicação de multa de R$ 4,54 milhões pelo Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) contra Paulo Cézar Quartieiro, ex-deputado federal e ex-vice-governador de Roraima, que desmatou ilegalmente 908,6 hectares de vegetação nativa no município de Pacaraima (RR).

Com objetivo de cultivar arroz, a derrubada alcançou tanto a reserva legal da propriedade, quanto Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Amazônia. Posteriormente, essas terras foram reconhecidas como parte da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A decisão favorável foi proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Em recurso à segunda instância, o infrator alegava inconsistência metodológica do laudo oficial do Ibama, cerceamento de defesa e incompetência da autarquia para fiscalizar a área, além de inexistência de dano ambiental.

Representando o Ibama, por sua vez, a AGU sustentou a validade do laudo, datado de 6 de maio de 2008. Conforme a defesa, o documento foi elaborado com metodologia que combinou: base fundiária oficial fornecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); dados vetoriais de múltiplas fontes; imagens de satélite; e, ainda, validação por análise fotográfica em sobrevoo com helicóptero da Polícia Federal (PF).

A AGU também afastou o suposto cerceamento de defesa, já que o réu foi intimado para indicar provas no prazo de cinco dias. O infrator, além disso, renunciou à perícia judicial, optando por apresentar apenas laudo particular.

A suposta incompetência do Ibama, por existência de licenciamento ambiental estadual, foi rebatida com base no federalismo cooperativo ambiental, previsto na Lei Complementar 140/2011 e assentado pela jurisprudência das cortes superiores.

A lei prevê a cooperação entre os entes federados em ações administrativas relativas à proteção do meio ambiente, o que significa que a atuação de um ente não exclui a atuação complementar de outro, quando for evidenciada omissão ou insuficiência fiscalizatória.

Legitimidade confirmada

Por unanimidade, a 13ª Turma do TRF1 negou provimento ao recurso do fazendeiro e manteve a sentença da primeira instância. Os desembargadores consideraram que não houve cerceamento de defesa, que a legislação vigente não exclui a atuação supletiva de outro ente federado diante de omissão ou insuficiência da tutela fiscalizatória e que, de acordo com a jurisprudência do STJ, a competência para licenciar não se confunde com a competência para fiscalizar, sendo, portanto, legítima a atuação do Ibama no exercício do poder de polícia ambiental.

O caso foi conduzido pelo Núcleo de Ações Prioritárias da Equipe de Cobrança Judicial da Procuradoria Regional Federal da 1ª Região (Ecojud-NAP1), unidade da Procuradoria-Geral Federal (PGF/AGU). A procuradora federal Helena Marie Fish Galiano, que atuou no caso, destaca que a decisão do TRF1 confirmou a “legitimidade da atuação dos agentes ambientais federais em áreas do bioma amazônico, como, no caso, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol”.

Segundo a procuradora, a atuação da AGU garantiu a validade do processo ao afastar as alegações de nulidade, “aplicando o princípio de que ninguém pode se beneficiar da própria omissão ou erro”. Por fim, no mérito, “a decisão confirmou a legalidade da atuação cooperativa prevista na Lei Complementar 140/2011 e a higidez das multas aplicadas, fundamentadas em laudos robustos de fiscalização”, explicou.

Fonte: AGU.

Publicidade

Veja também:

DRE desativa “disque-droga”

Postado em 15 de maio de 2026

Polícia prende 3 “carniceiros”

Postado em 15 de maio de 2026

Projeto reduz em 73% desperdício de merenda escolar no Uiramutã

Postado em 14 de maio de 2026

Indígenas poderão expor arte em murais na UFRR

Postado em 14 de maio de 2026

Polícia captura mais um pervertido sexual

Postado em 14 de maio de 2026

Uiramutã discute novo plano de Educação

Postado em 13 de maio de 2026