Um surto de coqueluche no Território Indígena Yanomami, em Roraima, já provocou a morte de ao menos três crianças e mobiliza equipes de saúde diante do avanço da doença, especialmente entre crianças e bebês. Até o momento, oito casos da doença foram confirmados pelo Ministério da Saúde.
Os líderes indígenas contestam os números apresentados pelo Ministério da Saúde. Segundo Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da Urihi Associação Yanomami, cinco crianças morreram em decorrência da doença, duas nas comunidades de Parima e Roko e três após remoção para a capital. Além disso, ele afirmou que 31 casos foram notificados e 12 confirmados.
Segundo o líder indígena, ainda há crianças internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, e outras aguardam remoção da região de Surucucu, uma das áreas mais isoladas do território.
De acordo com o Hekurari, o primeiro caso de coqueluche surgiu em dezembro. Ele contou ainda que acredita que a doença tenha chegado às aldeias por meio dos garimpeiros ilegais.
“Eu fui avisado sobre o primeiro caso em 25 de dezembro, aí fui saber o que era a coqueluche, que era uma doença contagiosa e muito perigosa… A gente acredita que os garimpeiros ilegais tenham levado essa doença para as aldeias de Surucucu. Eles estavam até abrindo uma estrada na região para o garimpo”.
Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, destacou a dificuldade para a notificação dos casos, especialmente nas aldeias mais remotas, e relatou que a população indígena não está sendo vacinada contra a doença:
“A gente está tendo muita dificuldade para entender o real tamanho do problema, por conta da distância entre as aldeias. As pessoas não estão sendo vacinadas nas aldeias, e eu não consigo entender o porquê. O governo Lula não está dando assistência alguma”.
As lideranças cobram reforço imediato nas ações de vacinação, ampliação das equipes de saúde e agilidade na remoção dos pacientes.
“Eu estou muito preocupado e indignado com a situação da coqueluche. O governo não está sendo transparente com a gente, querem esconder porque é ano eleitoral. O povo Yanomami já sofre tanto com outros problemas, como fome, desnutrição… É inadmissível o meu povo ter que passar por mais esse problema”, disse Hekurari.
O médico e especialista em medicina tropical Gustavo Bretas enfatizou que é preciso maximizar as ações vacinais nos povos indígenas. Ele ainda destacou a necessidade de implementar um modelo de assistência à saúde que esteja ancorado no seio da comunidade.
“É preciso maximizar a campanha vacinal agora e também já pensar na revacinação daqui a uns anos. Os indígenas, geneticamente, têm uma resistência menor a doenças. Por isso, é preciso implementar um modelo que esteja ancorado no seio da comunidade indígena. É preciso capacitar os indígenas”.
O Ministério Público informou que enviou, de forma emergencial, um grupo de 50 profissionais para reforçar o atendimento no polo base de Surucucu, onde as equipes já atuavam. Ainda afirmou que os casos são monitorados e que as ações de vacinação na região foram intensificadas. As circunstâncias das mortes e a evolução do surto seguem sendo acompanhadas pelas autoridades sanitárias.
Fonte: Ministério da Saúde.