Mais de 500 indígenas no Uiramutã, ao Norte de Roraima, participaram nesta segunda-feira (6), da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o movimento nacional tem como objetivo defender territórios e denunciar violações aos direitos dos povos originários.
A concentração aconteceu na barreira de vigilância Armando Silva, na comunidade indígena Uiramutã, a dois quilômetros da sede do município. Com faixas e cartazes, os indígenas denunciaram invasões frequentes de garimpeiros e marreteiros na terra indígena Raposa Serra do Sol e cobraram ação das autoridades.
O coordenador do Centro Willimon, Hélio Afonso, pediu mais fiscalização dos órgãos públicos para evitar a entrada de invasores. “É preciso defender nossa casa. Estão entrando sem permissão. Nossas cachoeiras, rios e igarapés já estão poluídos. Portanto, queremos mais ação das autoridades”, reivindicou.
Hélio também cobrou Justiça pela morte do indígena Gabriel Ferreira, de 28 anos, liderança do povo Wapichana da terra indígena Araçá. Ele foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro passado, após 10 dias desaparecido, na região do Amajari. “Já são mais de 30 indígenas mortos nos últimos anos no Brasil sem punição aos criminosos. Queremos terra livre de violência, de poluição”, cobrou.
Com faixas, os manifestantes também criticaram o Senado, segundo eles, “inimigo dos povos indígenas”. O tuxaua da comunidade Uiramutã, Orlando Pereira da Silva, reforçou a importância de defender o território. “Ninguém pode invadir uma casa e fazer o que quiser. Então, não vamos aceitar que façam isso conosco”, avisou.
Em todo país, o ATL vai até sábado (11) e é considerado a maior e mais importante mobilização do movimento no país. Segundo os organizadores, entre 7 mil e 8 mil pessoas, entre indígenas e não indígenas, devem participar este ano.
Mobilização
O ATL também marca o início do chamado Abril Indígena, mês de mobilização nacional em que o movimento busca chamar a atenção para outras pautas, como a necessidade de mais investimentos em saúde e educação indígena. O tema da atual edição do acampamento é “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.