O Governo de Roraima, por meio da Aderr (Agência de Defesa Agropecuária de Roraima), realiza no próximo sábado, dia 26, em Caroebe, no Sul de Roraima, um Dia de Campo voltado à orientação de produtores sobre o manejo e a contenção do Moko da Bananeira. A programação ocorrerá das 8h às 12h, com a participação do fitopatologista Luadir Gasparotto, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental.
A iniciativa integra as ações previstas no plano de contingência estruturado pela Aderr para reduzir os impactos da doença na produção local. Localizado no sul de Roraima, Caroebe é o principal polo produtor de banana do Estado e mantém relações comerciais com o Amazonas, o que reforça a necessidade de medidas de controle e prevenção.
Também conhecida como murcha-bacteriana, a doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2. O patógeno atinge os vasos condutores da planta e pode comprometer a produção dos bananais. Atualmente, não há cultivares resistentes nem tratamento químico capaz de curar plantas infectadas.
Para o presidente da Aderr, José Carlos, a participação dos produtores é importante para o fortalecimento das medidas de prevenção e controle.
“Convocamos os produtores rurais a participarem desse Dia de Campo. É uma oportunidade para receber orientação diretamente dos especialistas, conhecer os sintomas do Moko e aprender as medidas corretas de manejo e biossegurança. A participação do produtor é essencial para agirmos de forma preventiva e conter os impactos dessa doença na produção de banana de Roraima”, afirmou.
Orientação técnica em campo
Durante o evento, Luadir Gasparotto apresentará informações sobre a doença, os procedimentos para sua erradicação e as medidas de biossegurança recomendadas aos produtores. A programação inclui palestras e visita a uma área de cultivo, onde os participantes poderão receber orientações sobre a identificação dos sintomas.
“O objetivo é sensibilizar o produtor e repassar orientações. Não fazer nada em relação ao Moko não é a solução, pois temos uma economia forte naquela região baseada na produção de banana. A contribuição de um especialista vai ajudar com informações sobre a identificação do problema e as medidas de erradicação para conter e controlar a doença”, destacou o diretor de Defesa Vegetal da Aderr, Marcos Evangelista.
Entre as principais recomendações está a desinfestação de máquinas, ferramentas e calçados utilizados nas propriedades, como forma de evitar o transporte da bactéria de áreas contaminadas para plantações sadias.
Pesquisas da Embrapa sobre o comportamento do patógeno na Amazônia também contribuem para o reconhecimento dos sintomas nos diferentes órgãos da bananeira e para o diagnóstico realizado por produtores e técnicos de extensão rural.
Os estudos ainda subsidiaram a validação de um protocolo para a erradicação da doença em áreas de terra firme. Como a bactéria depende de restos da planta hospedeira para sobreviver e não apresenta estruturas de resistência de longo prazo no solo, o protocolo prevê a adoção de um vazio sanitário de 24 meses.
Durante o Dia de Campo, técnicos da Aderr e da Embrapa Amazônia Ocidental também apresentarão protocolos de diagnóstico precoce, procedimentos de biossegurança e métodos indicados para a contenção da doença nos plantios.